5 erros comuns no manejo do TDAH (e como eles podem piorar os sintomas)
- Dra. Juliana Queiroz
- May 7
- 3 min read
Muitas famílias chegam ao consultório exaustas.
Pais frustrados. Crianças desmotivadas. Conflitos constantes em casa e na escola.
E, muitas vezes, isso acontece não por falta de cuidado, mas porque os sintomas do TDAH acabam sendo mal interpretados no dia a dia.
A criança é vista como:
preguiçosa
mal educada
desorganizada
“sem limites”
“sem esforço”
Mas o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta funções executivas, autorregulação e comportamento.
Algumas estratégias usadas tentando “corrigir” a criança podem, na prática, aumentar:
ansiedade
oposição
frustração
dificuldade emocional
Por isso, entender o que evitar é tão importante quanto saber o que fazer.
1. Transformar tudo em bronca
“Presta atenção.”“Você esqueceu de novo?”“Para quieto.”“Quantas vezes vou precisar repetir?”
Muitas crianças com TDAH passam o dia inteiro ouvindo críticas.
O problema é que, com o tempo, isso pode gerar:
sensação constante de fracasso
insegurança
baixa autoestima
ansiedade
desmotivação
É importante lembrar: a criança muitas vezes não está escolhendo agir daquela forma.
Impulsividade, distração e dificuldade de inibir respostas fazem parte do transtorno.
Isso não significa ausência de limites. Mas significa que bronca isoladamente não ensina autorregulação.
O que ajuda mais?
orientações claras e objetivas
reforço positivo
previsibilidade
ensinar estratégias de controle emocional
supervisão acolhedora
A criança precisa de orientação, não apenas de crítica.
2. Esperar organização sem ensinar organização
Uma das maiores dificuldades no TDAH envolve funções executivas.
Por isso, muitas crianças:
esquecem materiais
perdem objetos
não conseguem planejar tarefas
se confundem com múltiplas etapas
têm dificuldade para começar atividades
Frequentemente os adultos pensam:“Ele já tem idade para saber fazer sozinho.”
Mas organização não depende apenas de vontade. Ela depende de habilidades que precisam ser desenvolvidas e treinadas.
O que ajuda?
rotina visual
checklist
agenda
dividir tarefas em etapas pequenas
supervisão inicial
apoio na organização do material
Estrutura reduz sobrecarga mental.
3. Confundir dificuldade com preguiça
Esse é um dos erros mais comuns, e mais dolorosos para a criança.
Muitos pais dizem: “Mas ele consegue ficar horas no videogame.”
E isso realmente acontece.
O cérebro com TDAH responde melhor a:
interesse
novidade
recompensa imediata
atividades altamente estimulantes
Já tarefas repetitivas ou mentalmente cansativas exigem muito mais esforço para manter a atenção.
O problema não é prestar atenção. É regular a atenção.
Isso significa que a criança não precisa se esforçar?
Não, mas significa que ela precisa de estratégias adequadas para conseguir sustentar o esforço mental.
O que costuma ajudar?
pausas curtas
timer
tarefas divididas em etapas
ambiente com menos distrações
reforço positivo
rotina previsível
4. Comparar a criança com irmãos ou colegas
“Seu irmão consegue.”“Seu colega terminou rápido.”“Só você faz isso.”
Comparações frequentes aumentam:
frustração
vergonha
sensação de inadequação
desânimo
baixa autoestima
Com o tempo, algumas crianças começam a acreditar que:
são incapazes
são “menos inteligentes”
nunca vão conseguir
Isso pode afetar não apenas o desempenho escolar, mas também a saúde emocional.
Cada criança tem um funcionamento diferente
O objetivo não deve ser comparar, deve ser promover evolução individual. Pequenos progressos merecem reconhecimento.
5. Achar que “é só uma fase”
Algumas dificuldades fazem parte do desenvolvimento infantil.
Mas quando os sintomas persiste, causam sofrimento, prejudicam aprendizagem, impactam relações sociais e afetam autoestima, é importante investigar.
O TDAH não tratado pode repercutir em:
desempenho escolar
organização
comportamento
saúde emocional
relações familiares
autonomia
Diagnóstico precoce direciona cuidado.
O tratamento do TDAH é multifatorial
Não existe solução única.
O manejo costuma envolver:
orientação familiar
adaptações escolares
rotina estruturada
psicoterapia
treino de habilidades
manejo comportamental
medicação, quando indicada
Quanto mais cedo a família entende o funcionamento da criança, maiores costumam ser os ganhos no desenvolvimento.
Crianças com TDAH geralmente escutam críticas demais e compreensão de menos.
Quando o adulto entende que impulsividade não é falta de educação, desorganização não é preguiça e dificuldade de atenção não é falta de interesse, o manejo muda.
A compreensão melhora qualidade de vida e desenvolvimento da criança.





Comments