Crise de birra ou desregulação emocional? Entenda a diferença
- Dra. Juliana Queiroz
- Mar 16
- 2 min read
Muitos pais já passaram por essa situação: a criança começa a chorar, gritar ou se jogar no chão e surge a dúvida: isso é birra ou algo além disso?
Embora as duas situações possam parecer semelhantes, birra e desregulação emocional não são exatamente a mesma coisa. Entender essa diferença pode ajudar os adultos a responder de forma mais adequada às necessidades da criança.
O que é birra?
A birra é um comportamento relativamente comum na infância, principalmente entre 1 e 4 anos de idade. Ela costuma acontecer quando a criança:
quer algo e é contrariada
está frustrada
quer chamar atenção
não aceita limites naquele momento
Durante a birra, a criança pode chorar, gritar ou se jogar no chão. No entanto, em muitos casos ela ainda mantém algum nível de controle sobre a situação.
Por exemplo, algumas crianças interrompem a birra se percebem que conseguiram o que queriam ou se o adulto muda o contexto.
O que é desregulação emocional?
Na desregulação emocional, a criança não está apenas contrariada. Ela está realmente sobrecarregada emocionalmente.
O cérebro infantil ainda está em desenvolvimento, especialmente as áreas responsáveis pelo controle das emoções, dos impulsos e da frustração. Por isso, em algumas situações, a criança pode entrar em um estado de perda de controle emocional.
Nesse momento, ela pode:
chorar de forma muito intensa
ter dificuldade para se acalmar
não responder a tentativas de diálogo
parecer completamente fora de controle
Mesmo que o problema inicial seja resolvido, a crise pode continuar, porque o sistema emocional da criança ainda está desorganizado.
O que pode desencadear uma desregulação emocional?
Diversos fatores podem contribuir para que a criança fique emocionalmente sobrecarregada, como:
cansaço
sono insuficiente
fome
frustração intensa
sobrecarga sensorial (barulho, ambiente muito estimulante)
mudanças inesperadas na rotina
dificuldades de comunicação
Algumas crianças também têm mais dificuldade natural em regular emoções, especialmente aquelas com condições do neurodesenvolvimento, como TDAH ou Transtorno do Espectro Autista.
Como ajudar a criança durante uma crise?
Durante uma crise emocional intensa, o mais importante costuma ser oferecer segurança e regulação, e não tentar convencer a criança naquele momento.
Algumas estratégias que podem ajudar incluem:
manter a calma
reduzir estímulos no ambiente
falar de forma simples e tranquila
oferecer acolhimento e presença
esperar a criança se reorganizar antes de conversar sobre o ocorrido
Depois que a criança se acalma, é possível conversar e ajudá-la a nomear e compreender suas emoções.
Quando procurar avaliação?
Algumas crises emocionais fazem parte do desenvolvimento infantil. No entanto, pode ser importante buscar orientação profissional se:
as crises são muito frequentes
são muito intensas ou prolongadas
interferem na rotina familiar ou escolar
a criança apresenta grande dificuldade para se acalmar
Nesses casos, uma avaliação pode ajudar a entender melhor o desenvolvimento emocional da criança e orientar a família sobre estratégias de manejo.
Nem toda crise é birra.Muitas vezes, a criança ainda está aprendendo a lidar com emoções intensas e precisa da ajuda dos adultos para desenvolver habilidades de regulação emocional.
Com apoio, acolhimento e desenvolvimento gradual do cérebro infantil, as crianças aprendem cada vez mais a identificar, expressar e regular suas emoções.





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